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A vida vale muito a pena, por uma série de coisas...
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Goiânia, Goiás, Brazil
Psicóloga Clínica, formada pela PUC - Goiás. Formação em psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo e Clínica Dimensão de Goiânia. Psicóloga - Centro de Referência da Igualdade - Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial.

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe. cadê?


Mãe, cadê você?
Cadê meu mamá, meu sustento? Cadê minha bola, minha boneca; brincar de quê? Meu livro; minha coragem de estudar e de viver? Sou pequena e preciso de você.
Mãe, cadê meu diário, meu celular, meu lap top, meu sei lá o quê? Onde você colocou, por que não me deixa fazer o que quero, sei tanto mais do que você! Navego na internet, me comunico por e-mail (em várias línguas), vejo coisas que você nem sonha, acesso informações que jamais terá; minha galera é fenomenal, participa de tudo que faço (amplamente divulgado pelo Orkut). Quero ser livre, tomar conta da minha vida, ser muito, muito diferente de você. Mãe, pra que é que eu preciso de você?
Mãe, cadê seu bom senso, sua vergonha, sua dignidade? Como pode fazer isso, se humilhar diante de meu pai? Humilhar tanto o meu pai? Aguentar desaforo das amigas? Ficar cuidando de netos, levar cachorro pra passear? Olhe pra mim, independente e segura; você me criou, me educou, como pode tê-lo feito tão bem (nas entrelinhas: tão diferente de você)? Mãe, vou te ensinar como é que você tem que ser!
Mãe, você vai comigo pra maternidade? Como dar banho em algo tão pequeno? Como se acalmar, como se comportar diante da voracidade das febres noturnas, das tosses convulsivas, dos vômitos jactantes? Mãe, como suportar nas noites insones de espera os pensamentos mais atemorizadores, de acidentes, de morte, de todo tipo de violência, de mau-caratismo, de maconha, cocaína e crack? Mãe, como se faz pra ser mãe? Ah mãe, como eu preciso de você!
Mãe, é preciso ser muito forte pra suportar nossos próprios destinos, zelar pelos nossos amores e velar nossas perdas; aceitar calada humilhações imputadas pelos que mais amamos, orar para que a compreensão se estabeleça e que o tempo passe, trazendo a tolerância, bem precioso, sustentáculo da maternidade. Que falta você me faz!
Mãe, cadê você?

Carmen Bruder é médica e psicanalista cbruderfonseca@hotmail.com

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