








Esse é um belo texto feito por Francisco Figueiredo, um grande conhecedor da arte, com uma sensibilidade única, atento a história dos nossos patrimônios...Ele coordena o Museu de Arte Sacra de Pirenópolis. Vale conhecer...


Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera ! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.
Esses dias, ouvi falar da peça: Máquina de abraçar, cuja narrativa percorre o universo autista, ainda tão incompreendido, tão difícil de penetrar, um dialeto tão confuso, um olhar distante, desprendido. O não - desejo de ser tocado, ser olhado, é um pouco o que o autista mostra de si.
As estradas que, por
Espelho
Foto romeo and juliet - by: Annie leibovitz
Vou postar algo que Joselita Rodovalho escreveu.
RUBIA DELORENZO (1)
Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Como se a gente já não soubesse da Sua eficácia, mas é sempre bom um destaque mais amplo...Autor: Desconhecido
Fonte: Jornal Folha de SP
TEMPERANÇA
A espera, tem se tornado parte contínua na minha vida.
Um ritual sagrado.
Existe espera no Tempo?
ou tudo que imaginamos ser espera
é mera viagem ...
Tempo!
Tão grandioso, tão pequeno , tão (só)
Tempo é gente? fantasma? solidão?
Espera-se do Tempo: o sol, a chuva, as flores, o amor, o filho, o medo, a morte, além...
Personificamos o Tempo quando perguntamos: como está o Tempo hoje?
Mas não há fala no Tempo.
Tempo é aquilo que nos falta responder
Tempo é furo
é divã suspenso no ar.
Iza junqueira
gyn 06/01/2001.
É DEVASSA ESSA MULHER
Um dos textos que mais gosto em Freud, é quando ele fala sobre a transitoriedade (vol. XIV - 1914 -1916). Além de ser um texto muito bem escrito, ele nos sensibiliza ao ponto de revermos as nossas travessias,e que, a duração das coisas em nós, tem o momento de chegar e de ir. Seja alguém, um presente, uma flor, as estações do ano...e por aí vai. " Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal". (pg 346)
"Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história". Hannah Arendt
A primeira vez que assisti "Meu primeiro amor", eu chorei. E as outras 10 vezes, também. Chorei de saudade de muitas pessoas, chorei pelo amor que se foi, enfim, é um filme entre duas crianças que se enamoram, e de repente o menininho morre com uma picada de abelha, e ela então, vive seu primeiro grande luto. Mas tem gente que desaparece em vida, numa ruptura brusca, sem tempo pra gente velar, olhar mais uma vez, mandar algumas flores, recitar um poema, colocar uma música, se despedir, dar o último abraço, mandar ir pro inferno! fazer todos os rituais que nos cabe. Enterrar. E o enterro pode demorar muito mais tempo para acontecer do que a gente possa imaginar. As pessoas costumam dizer, que no máximo dois anos, podemos nos curar de uma paixão, como se os nossos desejos obedecessem ao Tempo. As vezes quatro anos sem a pessoa amada, não pode ser mensurado com o passar dos dias, mas apenas pelo sentimento da saudade, da ausência. Tem pessoas que conseguem resolver esses desaparecimentos com mais facilidade, outras, ficam mais tempo nesse luto em vida, como costumo dizer. Mas um dia passa, sem a gente menos esperar, e se dar conta. E nós continuamos essa travessia, desejando, querendo ser amada, mesmo que tenhamos mais uma vez, passarmos pelo doloroso luto, em vida.
Toda mulher é uma viagem
ao desconhecido. Igual poesia
avessa ao verso e à trucagem,
mulher é iniciação do dia,
De nada adiantam mapas, guias,
cenas ensaiadas ou pilhagens.
Controverso ser, mulher é via
de mão única, abismo, moagem.
É também risco máximo, magia,
caminho íngreme na paisagem.
Simplificando: mulher é linguagem,
palavra nova, imagem que anistia
o ser, o vir-a-ser e outras bobagens.
Rubens Jardim
.http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3912asp?id=3912
Em 1969 Paulinho da Viola lança uma música chamada: Sinal Fechado. É um diálogo contido, entre duas pessoas, que não se vêem há algum tempo, e que num momento se encontram na rua, dentro dos seus carros, ou até mesmo a pé, esperando o sinal abrir, e ali naquele pequeno espaço de tempo, foi possível um encontro. Poderia ter sido um encontro entre dois homens, duas mulheres, um homem e uma mulher, ex marido e ex mulher, a letra é totalmente aberta para a imaginação, e você pode se colocar nela, sem dúvida, mesmo depois de tantos anos. E esse ano em que foi feita essa canção, o Brasil estava em plena ditadura militar, onde a linguagem era completamente vigiada, reprimida e censurada, e o autor adapta o discurso, para que ele fosse emblema de uma época em que se tinha tanto a dizer e não se podia.
“Mudaram as estações, nada mudou”. E será que mudaram muitas coisas de lá para cá, em relação a possibilidade dos encontros reais, do discurso entre pessoas que se desejam, que se gostam? É comum se ouvir: “Nossa, estou correndo demais, estou sem tempo para nada”. A menos que estejam fazendo cooper, ou se desculpando de não querer o encontro, as pessoas estão correndo de quem e para onde? É um tempo que está sendo marcado cada vez mais pela individualização, é um outro tipo de ditadura subjetiva, de recolhimento. A internet, como um outro lugar possível de relacionamento, é também um espaço de ilusões, em que se tem a sensação de domínio, controle e de que tudo é possível a partir das relações estabelecidas ali. Dentro do meu quarto eu “ posso” conhecer o mundo. E assim o mundo se distancia cada vez mais. E o tempo, esse que nós gostamos tanto de culpar, é o grande vilão daquilo que poderia ser prazeroso: os encontros possíveis, o olhar, o diálogo. Um sinal aberto.
Vídeo da música - sinal fechado
http://www.youtube.com/watch?v=IEUPH1A7YkM
Há dois anos e meio atrás iniciou-se um curso de formação permanente em psicanálise, organizado pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, juntamente com a Clínica Dimensão de Goiânia. Algumas entrevistas foram feitas e então começamos uma história juntos. Algumas pessoas não foram selecionadas, poucas desistiram por motivos particulares e" nós aí na foto" continuamos!(apenas Luzia não estava nesse dia) Primeiro módulo tivemos a Psicanalista Cleide Monteiro, sempre muito motivada a nos apresentar sua experiência clínica-teórica, muito dedicada, e foi um módulo bastante produtivo. Depois veio Paula Francisquetti, psicanalista, e ela veio com uma proposta diferente, num ritmo mais silencioso, onde tinha espaço de sobra para grandes produções. E ano passado começamos outro módulo com Leonor Rufino, psicanalista também. O que falar da Leonor? Muitas coisas boas! mas o bom mesmo é ouvir ela falar, e ela fala! fala com gosto, como dizemos aqui
Iza Junqueira